segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Esse é o tipo de pai que eu espero ser

É simplesmente lindo o depoimento do pastor cristão e pai de família na cidade de Wake Forest, Carolina do Norte nos Estados Unidos, John Pavlovitz. No atual momento, acho que precisamos desse tipo de amor "um amor extravagante, de coração aberto, sem desculpas. Aquele tipo de amor que constrange na porta da escola". 
Às vezes eu penso se terei filhos gays.
Eu não sei se outros pais pensam sobre isso. Mas eu penso. Muito frequentemente.
Talvez seja porque eu tenha muitos gays na minha família e círculo de amigos. Está em meus genes e em minha tribo.
Talvez seja porque, como pastor de estudantes, eu tenha visto e ouvido as histórias de horror de crianças cristãs e gays, dentro e fora do armário, tentando fazer parte da igreja.
Talvez porque, como cristão, eu interaja com tantas pessoas que acham a homossexualidade a coisa mais repulsiva de se imaginar e que fazem questão de deixar isso abundantemente claro a cada oportunidade.
Qualquer que seja a razão, eu penso nisso frequentemente. Como pastor e como pai eu quero fazer algumas promessas a você e aos meus dois filhos.
1) Se eu tiver filhos gays, todos vocês saberão disso.
Minhas crianças não serão nosso mais bem guardado segredo familiar.
Eu não vou desconversar com estranhos. Eu não vou falar em linguagem vaga. Eu não tentarei colocar um venda nos olhos de todos e eu não pouparei as emoções dos mais velhos, ou dos que se ofendem facilmente ou dos desconfortáveis. A infância já é difícil o suficiente e a maioria dos gays passam sua existência se sentindo horríveis, excruciantemente desconfortáveis. Eu não colocarei os meus filhos em mais desconforto desnecessário só para fazer o jantar de Ação de Graças mais fácil para um primo de terceiro grau rancoroso.
Se meus filhos saírem do armário, sairemos do armário como família.
Pastor John Pavlovitz
Pastor John Pavlovitz
2) Se eu tiver filhos gays, eu orarei por eles.
Eu não orarei para que eles sejam “normais”. Já vivi o suficiente para saber que, se meus filhos forem gays, este é o normal deles.
Eu não orarei para Deus curá-los ou consertá-los. Vou orar para que Deus os proteja da ignorância, do ódio e da violência que o mundo despejará sobre eles simplesmente por eles serem quem são. Vou orar para que Deus lhes coloque um escudo de proteção contra aqueles que os desprezam e querem machucá-los, que os amaldiçoam ao inferno e que os colocam como condenados sem nem mesmo conhecê-los. Eu orarei para que eles apreciem a vida, o sonho, que sintam, que perdoem e amem a Deus e a humanidade.
Acima de tudo, orarei para que meus filhos não recebam o tratamento nada cristão de suas ovelhas mal guiadas a ponto de afastá-los de seus caminhos.
3) Se eu tiver filhos gays, eu os amarei.
Não estou falando de um amor distante, tolerante e cheio de reservas. Será um amor extravagante, de coração aberto, sem desculpas. Aquele tipo de amor que constrange na porta da escola.
Eu não vou amá-los apesar de sua sexualidade nem vou amá-los por causa dela. Vou amá-los simplesmente por serem quem eles são: doces, engraçados, carinhosos, inteligentes, legais, teimosos, originais, lindos e… meus.
Se meus filhos forem gays, eles poderão ter milhões e milhões de dúvidas sobre si mesmos, sobre o mundo, mas nunca terão um segundo de dúvida sobre o amor que o pai deles sente por eles.
4) Se eu tiver filhos gays, basicamente, terei filhos gays
Se meus filhos forem gays – e eles já são bem gays… [gay em inglês significa, antes de tudo, alegre] Bem, isso quer dizer que Deus já os criou e os moldou e colocou neles a semente de quem eles são dentro deles. O Salmo 139 diz que Ele “os costurou no útero de sua mãe”. Para mim isso quer dizer que as incríveis e intricadas coisas que os fazem almas únicas na história foi colocado em suas células.
Por isso, não há um “deadline” para a sexualidade deles pela qual eu e sua mãe estejamos orando fervorosamente. Eu não acredito que haja alguma data de expiração mágica se aproximando quando eles “se tornarão héteros”.
O que há hoje é uma simples e jovem versão de quem eles serão; e hoje eles são incríveis.
Muitos de vocês podem se ofender com tudo isso. Eu percebo totalmente. Eu sei que isso deve ser especialmente verdade se você é uma pessoa religiosa, que acha esse tópico totalmente nojento.
Conforme vocês foram lendo isso, podem ter revirado os olhos ou selecionado trechos das escrituras para enviar ou orado para que eu me arrependa ou se preparado para deixarem de ser meus amigos ou me chamado de pecador, mau, herege condenado ao inferno… Mas da forma mais gentil e compreensiva que eu possa ser, digo uma coisa: não dou a mínima.
Isto não diz respeito a você. Isto é muito maior que você.
Você não é a pessoa que eu esperei ansiosamente por nove meses. Você não é a pessoa pela qual eu chorei de alegria quando nasceu. Você não é a pessoa a quem dei banho, alimentei, balancei para dormir durante as noites. Você não é a pessoa a quem eu ensinei a andar de bicicleta e cujo joelho esfolado eu beijei ou cuja mão eu segurei enquanto levava pontos. Você não é a pessoa cuja cabeça eu amo cheirar, cujo rosto ilumina quando eu chego em casa à noite e cuja risada soa como música para minha alma.
Você não é a pessoa que diariamente me dá significado e propósito e que eu adoro mais do que jamais imaginei adorar algo. E você não é a pessoa com quem eu espero estar quando der meus últimos suspiros neste planeta, olhando para trás agradecido por uma vida de tesouros compartilhados, sabendo que eu te amei da maneira certa.
Se você é pai, eu não sei como você responderá caso seus filhos sejam gays, mas eu oro para que você considere isso.
Um dia, a despeito de suas percepções sobre seus filhos ou de como foi sua paternidade, você talvez tenha que responder para uma criança assustada e ferida, cujo sentido de paz, identidade, aceitação, na verdade seu próprio coração, serão colocados em suas mãos de uma maniera que você nunca imaginou. E você terá de responder a isso.
Se este dia chegar para mim, se meus filhos saírem do armário para mim, este é o pai que eu espero ser para eles.
* Nota do autor: A palavra “gay” usada neste post se refere a qualquer um que se identifique como LGBT. Embora em conheça e respeite as distinções e diferenças, escolhi esta palavra porque ela é a mais simples e facilmente comunicável para o contexto deste artigo. Foi a maneira mais clara de me referir aos indivíduos não heterossexuais, usando uma palavra comum que ressoaria facilmente para o leitor comum.
Fonte:http://www.ladobi.com/2014/09/se-eu-tiver-filhos-gays/

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Eu só não quero assistir sozinho


Apenas vi o curta-metragem, Eu Não Quero Voltar Sozinho de Daniel Ribeiro, que é de uma delicadeza sem tamanhos e os atores Guilherme Lobo e Fabio Audi dão um show de cumplicidade em cena. O curta cresceu e virou longa, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho de mesma direção, e entre tantos bons candidatos pelos quais eu torcia, como Praia do Futuro e Tatuagem, fiquei super feliz por saber que foi esse o filme indicado pelo Brasil na categoria de melhor filme estrangeiro para o Oscar. O filme tem sido premiadíssimo fora do País. Nem posso falar muito sobre o longa, ainda não vi...então, partiu para assistir. Eu só não quero assistir sozinho!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Breve

Sempre fui reticente quanto ao governo do Eduardo Campos. Observava um governo frouxo com questões discordantes e incoerentes. Seu governo foi avaliado algumas vezes como bom,  e não se pode negar que Recife e a região metropolitana, e porque não dizer Pernambuco como um todo sofreu um up grade na sua gestão. Eduardo aprendeu com o avô, Miguel Arraes, a fazer política e havia superado o mestre nesse aspecto, pois fazia política com maestria. Sabia que um político precisa deixar sua marca e essa deve ser profunda e não apenas viver no campo das promessas vazias. Aprendeu que deveria ser lembrado, jamais esquecido assim como o avô. Colocou uma nova cara na Prefeitura do Recife e agora mais uma vez surgia com mais um coelho desconhecido da cartola, para governar o Estado (com chances de emplacar). Não pretendia votar no Eduardo no primeiro turno, não o sentia seguro para tanto, mas o faria num possível segundo turno contra Dilma ou o Aécio. Apesar de que não acredito que o Eduardo fosse tão inocente de achar que levaria a Presidência de República logo de primeira, sua intenção era ficar conhecido nacionalmente por suas propostas e então num futuro (2018) poder alcançar o tão almejado pódio.
No entanto, a tragédia ocorrida no último dia 13 de agosto faz qualquer questão política ser menor. Qualquer discordância ideológica ganha menor importância diante do tamanho de uma vida – sete vidas para ser mais exato. De uma vida que acaba assim, como um ponto final colocado de forma fria e desapegado, numa estória. 
- Como assim...acabou?! E como termina a estória?! 
- Terminou. 
Eduardo com seu carisma parecia ser um ente da família de cada Pernambucano. E isso ficou claro, porque Recife ficou mudo na última quarta-feira. Parecia que alguma coisa estava fora do eixo. Arrisco dizer que até seus adversários mais áridos e ferrenhos estão sentindo sua morte. A ficha demora a cair e duvido que a de alguém tenha caído. Estão todos ainda buscando digerir todas essas noticias que nos trazem de Santos, São Paulo. Talvez essa ficha caia neste final de semana quando ocorrerá o funeral. 
E nesses momentos onde a foice impiedosa do destino nos assusta, reflito que a vida é vento que passa breve como brisa, as vezes tépida que acaricia em outras fria que parece rasgar.         

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Tatuado

Fui tentar ver o filme Tatuagem quando na sua estreia no Recife. Sem chance. Filas quilométricas se faziam e salas lotadas com ingressos esgotados, me fizeram desistir e deixar a poeira baixar. O filme entrou em cartaz embalado pelo inúmeros prêmios, não à toa foi vencedor de quatro Kikitos no Festival de Cinema de Gramado, cinco redentores no Festival de Cinema do Rio, além de prêmios da critica especializada. Ontem depois de uma boa baixada de poeira, embora o filme continue em cartaz no Cinema São Luiz (Recife/PE), fui assisti-lo. Tatuagem é um filme realmente maravilhoso, merecedor de todos os prêmios recebidos. Uma trilha sonora linda, com destaque para Irandhir Santos cantando "o meu amor" de Chico Buarque; uma atuação impecável do Irandhir, o que eu não esperava outra coisa; e uma atuação do Rodrigo Garcia de roubar a cena; além logico de todo o resto do filme. O filme que levou sete anos para ser concluído só mostra que o cinema feito fora do "eixo" consegue ser mais maduro frente aos pastelões vendidos. Tatuagem fala de valores, politicas conservadoras, de amor, de liberdade. Como pano de fundo para a estória de Clécio Wanderley (Irandhir Santos) e Fininha (Jesuita Barbosa), está a trupe teatral chão de estrelas uma referência ao Grupo de Teatro Vivencial, que sob a influência do tropicalismo e da contracultura foi o marco de irreverência e transgressão na cena cultural pernambucana dos anos de 1970 e 1980. Tatuagem é um daqueles filmes essenciais para serem assistidos porque entende cada personagem pelo lado da emoção, do sentimento que lhe imprime a marca do inesquecível. Porque mostra uma trupe de atores que enxergam o futuro assim como ele é hoje cheio de vícios e traumas de um regime imposto.
     

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Rei do status!!!


Eu tenho estado muito ausente do blog é bem verdade. Sobra-me pouco tempo para está atualizando as notícias aqui. Contudo, tenho estado sempre muito alerta a tudo que acontece e não poderia deixar passar em branco a sensação do momento. Quem?! Quem?!...Ele mesmo, o Rei do Camarote.
Relutei tanto em falar dele aqui no blog, justamente porque acho de uma queimação terrível. Mas, mesmo correndo o risco de ficar carbonizado, pergunto a quem souber: 
Então o Quico cresceu e ficou rico, é isso?! 
Ah, e que estória é essa de que o vídeo é uma brincadeira que o Alexandre Almeida resolveu fazer. Pra que?! Ratificar que podemos tirar uma pessoa da pobreza, nunca a pobreza da pessoa...aaahh...isso já está mais do que manjado. No Brasil tem aos montes exemplos como esse, nem precisava se dá o trabalho.
Invejoso eu?! De jeito algum bebê. 
Sei que existe por parte de alguns o recalque de ver uma ostentação tão...tão... enfim, tão! - brega. Entretanto, o dinheiro é do boy e ele gasta como quiser, na festa que quiser, com a roupa de marca que ele quiser - Que camisa verde xadrez é aquela, Jesus me guarde! -, e com o champanhe que ele quiser, embora ele prefira vodka, ninguém tem nada a ver com isso.
Minha dúvida até agora, é se o vídeo é uma ridicularização irônica por parte da revista Veja ao empresário ou se a revista - a qual não se pode esperar muito - está ridicularizando irônicamente seus leitores. Se ele é um ator, entrou tão bem no personagem de biba deslumbrada e cafona que merece o Oscar - alguém notou a encochada, do bofe, que ele leva por trás..ai, ai!
Cada um escreve o livro, planta uma árvore e tem um filho que pode.
Agora...alguém acreditou mesmo na estória do banheiro do camarote?!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Infringente

A decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal quanto ao julgamento do mensalão, logo em seu início, foi pela punição. Era uma clara resposta à sociedade, que colocava no poder judiciário as suas esperanças de um Brasil mais coerente e justo. Se os ministros sentiam-se ou não pressionados pela opinião pública, a resposta dada foi a que se esperava. Um julgamento com repercussão internacional e mal dava para acreditar que nomes como Genoíno e José Dirceu seriam presos por crime de corrupção. Agora, surge o embargo infringente, que é mais ou menos o seguinte, todos os ministros chegaram a uma opinião conjunta, mas agora vão reavaliar essa opinião começando do zero, o que resulta em um novo julgamento. Não precisa ser muito esperto para se deduzir onde querem chegar com tudo isso. Cinco ministros votaram a favor do embargo e cinco votaram contra, falta só o voto de um ministro que já sinalizou pelo embargo. A justiça no Brasil se faz de cega, mas na verdade é omissa sem se sentir pressionada pela opinião pública.

domingo, 11 de agosto de 2013

Qual sua opinião?

Então, quem ainda não viu o vídeo aí em baixo:


Um amigo mostrou-me na tarde de ontem e nem havia me dado conta que era algo fresquinho, recém saído do forno. A noite quando fui ler as notícias na internet, não se falava em outra coisa que não fosse o tal vídeo. O vídeo viralizou rapidinho e rolava no facebook, mas não rola mais (??!!) e por enquanto está só no YouTube. Logo que vi o vídeo, comentei com meu amigo que sabia que o Infeliciano não valia muita coisa; que entendia o perigo e horror de sua campanha anti-gay, mas que ainda assim não concordava com o ato. Não, a luta por direitos e o movimento LGBT não ganha novos adeptos quando a arma é fazer descer goela abaixo uma condição que exige muito mais que aceitação, exige respeito e direitos. Contudo, não posso deixar de observar que o Infeliciano pede para passar por situações assim...vexatórias!!! Nem preciso dizer que a comunidade "evanja" está espumando de ódio por terem maculado a paz do "cordeiro". Estão todos querendo a cabeça dos moçoilos que fizeram o showzinho particular no vôo (até engraçado) e as opiniões a favor e contra explodem na net. Pelo menos vale a pena o debate democrático gerado. E você...o que acha?